Um tema que deve ganhar espaço ao longo dos próximos anos é o uso de blockchain. Os impactos e potenciais aplicações da tecnologia, cuja aplicação foi usada como base para o bitcoin, a primeira criptomoeda criada no mundo, foi assunto do 12º bootcamp da etapa de aceleração do Programa BRDE Labs. O bate-papo online, realizado na última quinta-feira, 5, foi conduzido pelo CEO da SOU.cloud e sócio da TEEVO AS, Fabio Junges.

Junges detalhou o funcionamento da tecnologia, que garante a segurança e a integridade das transações. Com ela é possível efetuar uma transação segura entre dois desconhecidos, sem intermediários. “A inovação e o desenvolvimento tecnológico acontece por quem está querendo experimentar ou desbravar o novo. Estamos em um momento interessante, no início dessa onda, de desenvolvimento. Há muito espaço para inovação e as startups incorporarem blockchain em seus projetos”.

É possível utilizar blockchain em diversos cenários, como por exemplo: aumentar a liquidez para um determinado ativo; muitos intermediários nas operações da empresa; necessidade/desejo de rastreamento da cadeia de valor; desejo de transparência e simetria de informações; burocracia em excesso, muitas etapas ou partes envolvidas; melhorar o relacionamento com clientes; adequação à Lei Geral de Proteção de Dados; reduzir os custos de transação. Na hora de analisar o uso da tecnologia em uma startup, Junges explica que é preciso entender a real necessidade para cada caso. “Será que é para a minha empresa? Um projeto de blockchain não pode querer começar em grande escala. É preciso que vá devagar, num embrião, que vai crescendo em relevância e vira o modus operandi”.

Junges falou que ainda há um longo caminho até que o uso de blockchain seja difundido no Brasil. Ele entende que é preciso avançar em muitos aspectos, como a criação de um mercado de ações e participação acionária, numa lógica para startups, elaboração de uma legislação correspondente, formas de captação e mecanismo de distribuição de renda e rendimento para as empresas. O mercado imobiliário é um exemplo de possíveis aplicações. “Ao invés de comprar um apartamento da planta, você pode comprar um token, que representa uma fração do imóvel na planta, democratizando o investimento. Qualquer pessoa passa a fazer parte do mercado”, explica.

Mas, ainda é preciso avançar. Junges ressalta que há um ponto chave para o desenvolvimento deste mercado. “Emitir é fácil. Mas, é preciso garantir que o token representa o ativo real. Ter garantia de que não estou emitindo tokens sem lastro. Precisamos pensar esse mecanismo de controle para dar garantias para o investidor. Quando pensamos em blockchain, enxergamos uma oportunidade”.

No final do bootcamp foi realizado um bate-papo para que todos pudessem esclarecer dúvidas, discutir assuntos relacionados às diversas aplicações de blockchain. O bate-papo contou com a presença das 12 startups selecionadas para a etapa de aceleração do Programa BRDE Labs: 2Metric, Agência Besouro, BioIn, DigiFarmz, Elysios, Essent Agro, Faba, Insumo Fácil, Palma Sistemas, Polvo Spot, Optim e Talos, bem como representantes do BRDE, da VENTIUR, das três das universidades que integram a Aliança para Inovação (UFRGS, PUCRS e Unisinos).